A escola precisa falar sobre a Guerra da Rússia e Ucrânia. Pare tudo!

São 20 horas. Uma adolescente de apenas 11 anos está em sua sala, sentada no sofá com o celular na mão. Estará jogando? Estará assistindo desenho? Estará assistindo filme? Estará no Whatsapp? Não, não está. Está no TIK TOK (O fenômeno responsável pela escola dos vídeos curtos “shorts”). De repente, ela pergunta ao jovem pai: “Pai, toda hora aparece algo no TIK TOK sobre a guerra, invasão da Rússia e Ucrânia, mas na escola nenhum professor fala sobre o assunto”.

Já o jovem talento de apenas 7 anos, ainda em sua evolução de criar suas frases, fala de uma hora para outra:

“Pai, se a o Brasil é amigo da Rússia e da Ucrânia... O Brasil é amigo de todos...Pode ajudar. Agora eu entendi”.

Será que esses dois episódios são diferentes em sua casa, nos lares das famílias brasileiras que tem internet e um smartphone? Em uma país que a média de uso passa de 10 horas conectados ao aparelho (CupomVálido, 2021). As redes são sociais tentam e estão conseguindo ocupar o espaço agora também da escola. No entanto, o grande problema que as informações visualizadas são em sua maioria fatos distorcidos, informações pobres, mas que depois de várias repetições, levam nossos filhos a criarem um falso argumento de verdade. Como exemplo: todos os russos também são culpados.


Aí é que entra a escola. A escola não é uma parede, inflexível, dura. A escola não é “hard”. A escola é o espaço para despontar o pensamento crítico, criatividade e resolução de problemas, principalmente do cotidiano. A escola é “soft”. Como queremos criar uma sociedade melhor, mais empática se não conseguimos aproveitar o problema no Leste para trabalharmos melhor a inteligência emocional dessas gerações, ou vincular nossos conteúdos de forma simples e criativa.


Por que não aproveitar a “russofobia” criada pelo ocidente, assim como foi criada com os Alemães depois da primeira guerra mundial e que foi uma das grandes responsáveis pelo surgimento de Hitler, na aula de história? Por que não falarmos na matemática sobre os números de irmãos e amigos mortos, ao mesmo tempo que trabalhamos regras de três, ou percentual? Por que não trabalharmos as regras gramaticais do português com a boa leitura comparando o apoio que a Europa está dando aos refugiados, mas que não fizeram a mesma coisa com os refugiados da guerra na Síria, onde muitos foram discriminados como criminosos e até terroristas? Na geografia por que não trabalhar as coordenadas comparando a invasão americana no Iraque com a invasão da Rússia?


Várias são as perspectivas que podemos trabalhar os vários conteúdos que estão na BNCC, ao mesmo tempo que assumimos o controle de volta para a escola e não deixamos nossos alunos sozinhos com o Tik Tok, ou instagram. Quando a porta da oportunidade se abre, nós entramos, conquistamos nossos alunos e todos crescem.


O papel da escola é libertar o pensamento crítico. Não podemos fazer de conta que nada está acontecendo, quando o petróleo já aumentou mais de 18% e que isso afetará milhões de Brasileiros com a escalada da inflação. A guerra já está em nossas casas, já invadiu nossas mesas.


Quanto mais tempo fazemos de conta que nada está acontecendo, mais tempo perdemos de potencializar a empatia de nossos alunos. Tudo está mudando, as redes sociais estão impondo sua forma de pensar e de agir. Criando narrativas, onde o único objetivo é atender pontos de vistas pessoais, ou imperialista. Não existem santos nessa guerra, mas a grande questão é como aproveitar tudo isso, tudo que está aí, e fazer a minha escola ser uma escola que ajuda a contribuir na formação de um cidadão responsável.


Pronto, agora a escola se levanta. Os professores se revigoram e levam para sua sala de aula o assunto que todos eles já estão discutindo, que todos eles já estão assistindo no TIK TOK. No entanto, com o toque de maestria pedagógica o professor faz o diferencial e assim criamos grandes famílias.


Por: Reginaldo Santana


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