Eles são nativos da tecnologia. Não é verdade.

Temperatura do dia agradável, poucas nuvens e vamos para mais um dia de aula. Hoje é dia de usar o Laboratório de Informática, dia de fazermos pesquisa e ao final as equipes apresentarem seu trabalho em slides.

O professor inicia a aula e começa a grande “viagem” inesperada. “Professor como liga o computador”, “O que é essa tecla CTRL?”, “Como coloco o acento? “, “Professor eu não lembro de meu e-mail”.

Você ficaria surpreso né com a situação acima?! Agora, imagine que essa situação aconteceu em uma escola particular e com alunos do Ensino Médio de um canto desse imenso país (vamos resguardar a escola e alunos, ok).


Estamos em 2021 e jovens que estão terminando o ensino médio, que irão para faculdade, ou que vão tentar ingressar no mercado de trabalho, não têm conhecimentos básicos em ferramentas que existem em qualquer empresa de pequeno porte.

Isso significa que a frase “Meu filho é muito bom em tecnologia” expelida por vários pais e pessoas não faz sentido. Ouço muitos pais dizendo que o seu filho sabe mexer em tudo no celular, faz tudo sozinho. É muito esperto em tecnologia e quanto isso, não precisa se preocupar para trabalhar uma empresa.

O problema é que as pessoas estão confundindo “NATIVOS DE BESTEIROL” como nativos de tecnologia. Os “Nativos de besteirol” dominam o Instagram, Facebook , Tik Tok, sabem fazer Reels e o principal: experts em compartilhar FAKE NEWS.

Eles passam o dia inteiro produzindo... nada de útil nem para eles mesmos. Na verdade, as redes sociais são importantes no nosso cotidiano, o problema é o excesso de uso e o que você faz com ela.

Na pandemia tivemos a oportunidade de perceber isso por vários ângulos em relação a sala de aula. Uma parte, os professores que não estavam preparados, ou foram capacitados com formações em tecnologia para sala de aula. A outra parte os alunos, que não conseguiam entrar em uma aula, que reclamavam que não conseguiam fazer uma prova, porque não sabia fazer uma coisa básica de nativos da tecnologia: trocar de usuário.

O problema se agrava quando o aluno é solicitado a fazer um trabalho em ferramentas básicas, tipo: Word, Power point, Canva etc. É raro sair alguma coisa útil, uns nem sabem que tais programas existem.

Observe que estamos falando de alunos de classe média. Sim, alunos que os pais têm condições de colocar em escolas particulares, ter computador... Indo para o lado público você têm alunos que nunca ligaram um computador.

Estamos desenvolvendo uma geração analfabeta digitalmente, pois a escola está anos-luz distante das demandas. Mesmo com a pandemia, os gestores da educação (governo federal, estadual, municipal) implementaram políticas públicas tímidas e na maioria dos municípios são inexistentes.

Como termos um país desenvolvido se ainda estamos na periferia tecnológica. Não se avança mais sem tecnologia. Se a escola não entendeu isso irá criar um “gueto” de ensino, que está fora de contexto social.

Uma das competências da BNCC é a cultura digital. No entanto, isso não será realidade se os educadores também não entenderem que a tecnologia em sala de aula não é um luxo ou uma coisa para usar de vez em quando, mas uma estratégia contínua.

No que se refere as escolas públicas é necessário, os gestores do país executarem medidas práticas de formação de professores em tecnologias e investimentos reais para os alunos.


by Reginaldo Santana

CEO MargiEducation

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