Menos internet e mais amor aos filhos.

Como sabemos, o dia é composto por vinte e quatro horas, pelas quais estão agrupadas em três momentos: manhã, tarde e noite. Geralmente, reservamos a manhã e à tarde para os ofícios do trabalho, e a noite, a pequena noite, para talvez, o momento de encontro com a família ou amigos. Essa deveria ser a ordem temporal das coisas e essa era a ordem respeitada no passado.


Lembro-me quando era criança que depois da janta (café da noite) ficávamos com meus amigos na porta de alguém contando piadas de Camões, contando os carros que passava nas ruas, ouvindo histórias de terror, fantasmas e até dividindo com os colegas as tentativas de namorar alguma menina. Enquanto isso, nossas mães e pais conversavam a noite inteira na porta. Depois das conversas com os amigos era o momento de ficarmos com os pais/mãe na porta simplesmente esperando o sono chegar, mas até lá várias histórias iam surgindo, nossos pais gostavam de contar histórias de seus avós, familiares, suas aventuras. Eles gostavam de passar vários ensinamentos por meio de histórias, eram grandes professores da vida e foi assim que aprendemos a viver e a superarmos vários desafios. Os eletrônicos e a internet ainda não fazia parte de nosso universo, a única coisa que restava era ficar na porta conversando com amigos ou nossos familiares.


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Hoje facilmente, consigo fazer as conexões de que naqueles momentos com amigos, ou ouvindo histórias de meus pais, eu estava simplesmente aprendendo a ter empatia, a se interessar pelas diversas coisas que iam surgindo, e aquilo aos poucos, iria se tornar responsável pela formação de minhas habilidades emocionais (softskills). Nossa maior diversão não era o “grudi” na internet, nem era visualizar vídeos, ou participar de grupos, nossa diversão era simplesmente estar ali com pessoas que gostávamos, somente isso. Naquele tempo, o momento de maior audiência de nosso público na nossa rede social (encontros noturnos com a galera nas portas dos vizinhos) era no período da noite. Nesse momento, postávamos (conversas) as nossas experiências que havia ocorrido durante o dia, na escola, em casa, ao mesmo que adquiríamos novas experiências por meio de brincadeiras e simplesmente pelo fato de se “dar ouvido” as conversas dos outros. Cada dia construímos um pedaço de nossa história, um novo momento, e aos poucos novos amigos em comum surgiam.


Quando chegou a televisão não perdemos nossas conexões. A televisão trouxe novas histórias, as novelas e conseguimos nos conectar ainda mais. Os pais assistiam filmes, programas humorísticos voltados para a família junto com os filhos, apesar de ser um eletrônico, os programas da época eram para o público familiar. Então, a televisão (na época) foi uma aliada que conseguiu seu espaço em nossas casas, pois de fato contribuía para conectar amigos e familiares, éramos uma coisa só. Tínhamos tempo para a família, tínhamos tempo para nossos filhos.


A internet surgiu, o mundo transformou-se aceleradamente de uma forma nunca vista; isso impulsionou uma corrida desenfreada de geração de conteúdos e pelos lançamentos diários de novos dispositivos eletrônicos: tablet, Smart TV, smartphones etc. Tudo é feito agora para se conectar a nova casa: a internet. Notícias, imagens, vídeos, redes sociais, jogos, roubam o tempo que o pai e o filho, deveriam ter para se dedicarem a ouvir um ao outro. Não temos mais tempo para conversar com os amigos na rua, ouvir as histórias de nossos pais, ou até assistir a um bom filme juntos. Como pais, não estamos dando o tempo para ficarmos com nossos filhos, sem sermos distraídos pela internet que está em nossa volta. Chega a noite, já tomamos o café; mas ainda estamos olhando nossa rede social, as fotos postadas, dando curtidas, compartilhando, comentando, respondendo mensagens do trabalho, visualizando as mensagens em grupos improdutivos e até brigando na internet. Enquanto isso, o filho segue a mesma odisseia ou está no smartphone jogando. Quando não está no celular, pode estar também na agora SMART TV, que é mais um eletrônico conectado a internet. A internet está virando o pai e a mãe das crianças, ela está roubando e educando os nossos filhos. Educando por meio dos vídeos de pessoas que não têm nenhum compromisso com o crescimento social de seu filho, pelos jogos com infinitas possibilidades e com a Smart TV que também não deixa de ser mais uma extensão da internet. No entanto, a internet só educa os filhos porque os pais estão permitindo, porque ao invés de darem tempo para a garotada, também estão dando tempo para todas estas coisas que estão ligadas a internet.


A internet na verdade não é o bicho papão, pois tudo depende da dose, e a quantidade que você utiliza. Como tudo, temos coisas boas e ruins e com a internet não seria diferente. O bicho papão não é a internet, mas o tempo que os pais não estão dedicando aos seus filhos. Os pais não contam mais histórias para os filhos, não conversam com os filhos, não assistem mais bons programas juntos e não se interessam de verdade pela a história de vida que seu filho está construindo, tudo se resume a quanto o filho tirou na prova da escola. Quantos colegas nossos da infância tiravam notas 10 e 10 e no fim não chegaram muito longe? E quantos colegas que não eram nota 10, mas que estão hoje socialmente bem? Não foram as notas que fizeram a diferença, mas o tempo que os pais dedicaram aos seus filhos, o tempo que dedicaram a criar bons momentos juntos, ao mesmo tempo que educava seus filhos por meio de softskills.


O problema é que a falta de tempo está sendo compensada com o uso da internet e seus conteúdos. Qualquer pessoa agora, cria conteúdo na internet e facilmente seu filho tem acesso. Seu filho está assistindo em um certo momento um vídeo de música e logo, já é jogado para conteúdos improdutivos, quanto maior tempo assistindo, maior o desenvolvimento do hábito procrastinação (adiar suas responsabilidade, levando com a barriga). Além da procrastinação, estamos criando gerações com deficiência extrema de interação social, e isso está sendo comprovado pela corrida dos pais em buscar psicólogos para resolver problemas que foram gerados devido a falta de interações sociais ainda quando criança, mas que agora os pais não conseguem mais gerenciar, não conseguem mais tirar o filho do celular porque virou um hábito enraizado e perdeu a autoridade e ainda não entendeu que as coisas só irão melhorar quando passar a dedicar a sua responsabilidade de pai e mãe por meio do tempo que precisa ser reservado a essa conexão.


Faço um convite para todos os pais e mães, quantas vezes na semana você desligou todos os eletrônicos de sua casa e dedicou esse momento a estar ao lado de seu filho? As crianças precisam urgentemente de contadores de histórias (não precisa ser nenhum expert), de ouvir piadas, e de conversar sobre qualquer coisa com seus filhos. É preciso que você deixe o silêncio dos eletrônicos provocar em você e em seu filho a necessidade de se comunicar, a necessidade da troca de ideia. Mesmo que não se comuniquem o silêncio da casa já irá ser um bom começo. Então comece em uma certa noite da semana a simplesmente desligar tudo (desligue seu celular pai/mãe) e somente conversem, brinquem juntos, façam coisas juntas.


Uma outra coisa que pode ajudá-lo nessa missão é permitir que seu filho participe de projetos e competições em grupos, pois isso irá fazer com que ele crie conexões com outras pessoas. Desafios em conjunto, se bem organizados permitem que todos pratiquem o senso de responsabilidade, aprendam a cooperar e ouvir a opinião do outro. A criança que é tímida começa aos poucos a conhecer novos amigos e a ser mais extrovertida, a que não respeita opiniões contrárias aprende a respeitar e a entender a importância de estar alinhada à equipe. Reforço que uma das maiores reclamações que as crianças tem dos pais é que nunca tem tempo para elas. Agora você precisa tomar as decisões certas para que seu filho tenha sucesso. Não permita que a internet eduque seu filho e faça com que ele não seja uma pessoa de sucesso, um campeão. O seu filho precisa de você mais do que você possa imaginar. Então, é hora de você educar seu filho, ou ele vai ser educado pela internet.


CEO margiEducation: Reginaldo Santana


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