Meu filho demitiu o professor

Não é nenhuma novidade quando ouvimos o tempo todo que a escola ainda está no século XIX, os professores no século XX e os alunos já estão no século XXI. Existe uma grande diferença no que a escola e professores propõem, para o que realmente o aluno precisa e o mercado exige realmente. Por mais que os professores tenham tecnologias a sua disposição, não conseguem se desconectar das “mesmices” do século XIX. O quadro ainda continua sendo a figura mais importante da sala de aula, onde professor escreve o conteúdo e o aluno copia e decora.

Mesmo nas escolas privadas, o processo de aprendizagem continua o mesmo, tendo os “Slides em Power Point” que na prática é o quadro moderno, mas sem impacto na aprendizagem.

É incrível como a disposição da tecnologia, ao invés de melhorar o aprendizado, acaba afastando mais os alunos do verdadeiro conhecimento. Sim, os professores da escola de seu filho ainda estão no século XIX. O aspecto que fiquei muito curioso, foi o fato de minha filha de apenas oito anos de idade ter perguntado a sua professora como fazia para demitir alguém. A ilustre professora, agora preocupada, questionou a pequena princesa o porquê de tal pensamento. Depois de muitas idas e vindas, foi dito simplesmente que não tinha gostado da aula de outra professora (educação física), porque achava chata a aula teórica. Como pai e curioso, também perguntei a minha filha sobre o ocorrido, e uma das colocações foi o seguinte: “Pai, eu não entendo. Se a aula é de Educação Física, por que temos que ter aula teórica?” Parece um pensamento fútil, mas observemos com inteligência o que está por trás desse “insight”.

Novamente, vemos a importância da escola começar a focar no desenvolvimento de softskills (Habilidades comportamentais). Não é que a aula teórica não seja importante, mas se fosse uma aula prática seria mais interessante, porque já é consenso científico que aprendemos mais fazendo. Quando fazemos, estamos estimulando justamente a melhoria de nossos hábitos; e no caso da Educação Física, estaríamos estimulando o trabalho em equipe, a comunicação e competências como determinação e proatividade.

No entanto, o mais importante no pensamento dessa criança em demitir alguém, é que ela já sabe que no mundo altamente competitivo, fazer “mesmices” não tem valor. E que estamos sendo avaliados o tempo inteiro. Avaliados no que falamos e principalmente na forma que agimos, e quando uma pessoa não corresponde as nossas perspectivas devemos demiti-las.

Gosto muito da frase de meu amigo sociólogo Horimo Medeiros: “Tem que produzir”. Sim, temos que sermos produtivos, e para isso, temos obrigação de sermos os melhores no que propomos a fazer. Nesse caso, faltou a habilidade comportamental de saber os anseios de nossa “clientela” (alunos) e buscar melhoria contínua no que fazemos. O que funcionava ontem, não funciona mais hoje. Dessa forma, nós precisamos ter a softskills (Aperfeiçoamento Contínuo) como hábito. Devemos sempre buscar melhoria no que fazemos, ser curiosos e teimosos, a fim de chegarmos o mais próximo da excelência.

O problema é que estamos bloqueando nossas crianças de serem melhores do que somos. A escola está atrofiando nossos filhos causando desinteresse. No final, ainda somos obrigados a ouvir da escola, que a culpa é dos pais.

Se a escola não educa meu filho para ser um campeão, para que serve essas paredes e esses quadros? Como pai, quero uma escola comprometida com a evolução comportamental de meu filho. Se ele é introvertido, quero que a escola trabalhe para que ele seja mais extrovertido; se ele não consegue trabalhar em equipe, quero que a escola o ensine a ser mais cooperativo.

Agora a realidade é que, infelizmente, a escola vai continuar fazendo o que está fazendo. Nada para seu filho. Cabe a você como pai, começar a dar importância no desenvolvimento de habilidades de campeão, habilidades de líder para seu filho.

O seu filho precisa ser melhor que você. Se você tem problemas de convencer alguém com uma ideia, de não ser uma pessoa organizada, de ficar se escondendo dos desafios, de ser uma pessoa egocêntrica, de não se conhecer, de não saber aproveitar seus pontos fortes, seu filho não precisa ser igual a você.

Hoje foi a professora que foi demitida. Se você não começar a se preocupar com seu filho, para que ele comece a desenvolver habilidades comportamentais e emocionais, lembre-se que amanhã ele poderá ser o próximo da lista.


Autor: Reginaldo Santana (CEO MargiEducation)

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